maio 18, 2008

Há dias em que você se sente meio perdido, oprimido por situações as quais fogem do seu controle. Nesses momentos muitas vezes parece que você está em uma máquina, sentindo-se como uma mortadela, sendo fatiado como um lote de frios, em pequenas porções que serão servidas como finas folhas do que já foi um ser humano visível. Não entre em desespero, não sinta-se um objeto, mas, ao contrário, perceba-se como um membro da raça humana, criação suprema de Deus, e viva como tal !

João

fevereiro 10, 2006

Trem lotado, marmita na mão,
em dia de frio e nevoeiro.
Assim apressado e ligeiro,
chegou correndo João.

Nem bem entrou, a porta fechou,
trancando sua cara amassada
em meio a multidão enlatada.
Com o suave balanço até cochilou.

Em sua cabeça dançando
estavam de criança lembranças.
Como Carla e suas tranças,
menina, em sua casa brincando.

Eia que bruta solavanco !
De chofre para o trem na estação,
no colo da velhinha quase cai João.
Perdão, não deu pra segurar o tranco !

Eis que para a composição.
João salta e segue seu caminho,
absorvido na fervilhante multidão.

Rápido subiu no onibus lotado,
a carteira procurou.
Droga, logo hoje fui roubado !

Com o cobrador desenrolou,
para a viagem prosseguir.
Assim no trabalho chegou.

Do chefe foi ouvindo,
a bronca pelo atraso.

Na cara foi tinindo
mas ele não fez caso.

Trabalhando, logo tá na hora do rango !

Arroz com feijão
e um disco voador.

Não tá mole não !
Uma dureza de horror.

Que doce apito afinal,
trabalho agora só segunda.
Finalmente em casa com o pessoal !

Êta trem atrasado,
vou sair com a Raimunda
no primeiro feriado.

No balanço do trem,
João só dormitando,
cansado como ninguém.

Depois de duas horas de viagem,
andando pela rua,
olhando uma baita lua
e todo doído de friagem.

Em casa chega João,
sua filha Carla vem correndo,
seus doces logo querendo,
mal o pai vê no portão.

Um beijo em sua filha
todo o cansaço vencendo,
a longa escada descendo,
querendo logo vêr a família.

O despertador a berrar,
danada de vida dura.
Chave na fechadura,
já vai João trabalhar !

Autor : Kleverson

Éons

fevereiro 10, 2006

Visão de velhas idades
quando guerreiros caminhavam sobre a terra
como senhores de antigas cidades.

Antigas batalhas a sombra de seus galhos,
raízes regadas com sangue de samurais.
Vidas esquecidas de homens falhos.

Priscas eras de lutas e batalhas,
quando homens se julgavam imortais.
Porém, mortais como pequenas gralhas.

Nevoeiros de eras passadas
a tudo encobriram.
Vidas vitoriosas ou fracassadas.

Tudo passou, tudo pereceu,
porém como sentinela eterna,
apenas você permaneceu


Autor : Kleverson

Aromas da vida

fevereiro 10, 2006

Aromas Cheiros Odores
Perfumes Fedores Fragâncias

Aromas de especiarias de
terras distantes.
Cheiro de terra molhada
na caatinga.
Odor de um passado
distante.
Perfume de um presente
não tão distante, poucos
centímetros e uma
paixão.
Fedor de vidas sujas e
não passadas a limpo.
Fragâncias de pequenos
momentos de vida em
crescimento.
Vidas em direção a
aromas de terras não
tão distantes,
com cheiro e súor
de novas peles e novas
sensações.

Odor de exóticas madeiras,
perfume de cores em
flores alienígenas a
nossos sentidos.
Fedor de novas mortes
e novos mortos.
Fragâncias de corpos
humanos no sexo,
espíritos sem cheiro
em corpos suarentos,
envólucros malcheirosos com
pretéritos odores perdidos
na memória.

Em todos os continentes
do mundo, em todos os mundos
das estrelas ande
o homem chegar,
na vida e na morte,
seus aromas o
seguirão.
A vida tem o cheiro
da morte,
a morte o aroma
da vida…
que se foi.

Autor: kleverson

Progresso

janeiro 21, 2006

É isso aí fatman !
Vamos andar,
pedra em movimento
não cria limo.

Você está progredindo,
vaza banha a cada
quilomêtro.
Já está com “só” 75 kg ?
É sua bola gordurenta,
em dez dias até que foi alguma coisa
Não pare até esvair-se em banha !

Inércia !

janeiro 11, 2006

Inércia é algo que nós aprendemos na escola.
Se não me trai a memória,
é a propriedade de um corpo manter-se imóvel,
ou sua velocidade constante, caso esteja em movimento.

Uma bola sebenta de banha em estado de inércia,
uma massa de gordura inerte no passado.
Eis porém que houve luz,
Fiat lux ! Mas não mover-se de carro !

Movimento constante, uniforme, progressivo.
Movimento de um passado inerte, em direção a um
presente que se move para o futuro.
Um futuro de vida e saúde,
um futuro de movimento.

Run fat man ! Run, run, run !
Corra, ande, nade, mova-se !
Eu estou em movimento.
Rcomecei agora,
mas voltei a atividade, agora pra ficar
Em movimento !

Autor : Kleverson

A Arte de Cavar Buracos.

janeiro 6, 2006

Eu cavo buracos.
Buracos redondos,
Quadrados eu os cavo,
Rasos, sem profundeza.
Buracos sem fundo
Com beleza em sua profundidade.

Cavo buracos com tampa, como bueiros,
Buracos abertos, como tuneis.
Solitários como só buracos sabem ser,
Eu os cavo para serem buracos.
Não queijos ou rosquinhas, apenas…buracos.

Buracos os há que não são cavados.
Há os buracos negros, buracos cósmicos.
Os há cavados por outrem,
Buracos de minhoca, buracos te tatu.
Formigas também gostam de buracos,
Os fazem belos e longos.

Tem os que fazem buracos vazios,
Existem os que os fazem cheios.
Há buracos feitos para uso próprio,
O PT fez o seu, particular.
Há buracos feitos para outros,
O Presidente está cavando um coletivo,
Pra muita gente.

Eu cavo buracos
Tu cavas buracos
Ele cava buracos
Nós cavamos buracos
Vós cavais buracos
Eles cavam buracos

Enfim,todos cavamos buracos,
Alguns caem em buracos,
Outros amam buracos,
Portanto, concluímos,
Buracos existem !

Ah ! Que buraco na memória !
Como post scriptum,
Há os buracos municipais,
Os há também estaduais
E com muita honra os federais.
Tem buracos de todos os tipos:
Buraco do Metrô,
Buraco da CEG e buraco da CEDAE.
Contemplamos até os da SABESP.

Portanto, temos a confirmação:
Os buracos são um fato científico !

Autor : Kleverson.

Trevas no asfalto.

dezembro 16, 2005

Negra tumba na escuridão do caixão,
Negro destino de vida curta.
Cova rasa que encurta a existência,
Em caminho que cruza com quem não tem clemência.

Negra noite de encontro com a morte,
Na escuridão da favela sem sorte.
Negro nasceu, negro viveu,
Na noite escura talvez morreu..

Macaco safado ! Preto fedorento !
Neguinho ladrão ! Nego pestilento !
Se não faz na entrada, faz na saída !
Pretos de alma branca, existem poucos !

Vidas que se cruzam nas ruelas,
Vivendo, tentando sobreviver a elas.
Viver no gueto da favela, sobreviver ao perigo das vielas,
Vivendo uma vida que não resiste as mazelas.

Gueto onde são como ratos malditos,
Perseguidos como pragas, exterminados !
Exterminadores que surgem das trevas da noite,
mas a luz do dia caminham na escuridão do asfalto.

Racismo maldito ! Exclusão maldita !
Estampado em faces negras de nosssos garotos.
No rosto afro de nossa gente,
Duplamente excluídos pela discriminação maldita !

Narizes chatos, lábios grossos,
Olhos negros, profundas janelas da alma.
Cabelos crespos, de negritude brasileira,
Negra pele de sonhos jovens brasileiros.

Desaparecidos, mortos talvez,
Não dá pra silenciar.
Brasil , olhe-se no espelho !
Tu tens muitas faces Brasil !

Vivos, quem sabe ?
Enquanto se pode, deve haver esperança,
esperança de que a juventude não mais siga assim,
Discriminada, exterminada, enterrada,
Por ser negra… favelada.

Autor : Kleverson.

A Única Rocha

novembro 16, 2005

SEGURA NA MÃO DE DEUS

Se as água do mar da vida,

Quiserem te afogar

Segura na mão de Deus e vai!

Se as tristezas desta vida

Quiserem te sufocar

Segura na mão de Deus e vai!

Segura na mão de Deus (2x)

Pois ela, ela te sustentará

Não temas, segue adiante

E não olhes para trás,

Mas segura na mão de Deus e vai!

O Espírito do Senhor

Sempre te assistirá

Segura na mão de Deus e vai!

Jesus Cristo prometeu

Que jamais te deixará

Segura na mão de Deus e vai!

Segura na mão de Deus (2x)

Pois ela, ela te sustentará

Não temas, segue adiante

E não olhes para trás,

Mas segura na mão de Deus e vai!

Se a jornada é pesada

E te cansa a caminhada

Segura na mão de Deus e vai!

Orando, jejuando,

Confiando e confessando,

Segura na mão de Deus e vai!

Segura na mão de Deus (2x)

Pois ela, ela te sustentará

Não temas, segue adiante

E não olhes para trás,

Mas segura na mão de Deus e vai!

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